sábado, 5 de setembro de 2020

[Meus dois centavos sobre...] Como a Família Cartier mudou a minha visão como leitora

 


 Começo esse texto com uma confissão: até pouco mais de um ano antes, eu não gostava de qualquer livro New ou Young Adult, em razão de comentários externos que li ou ouvi. Menos ainda de Hot. Aliás, esse último eu decididamente odiava. Com força. 

Não me levem a mal, gente, mas, infelizmente há MUITOS exemplares de romances desse gênero que fazem romantizações absurdas de comportamentos abusivos de todo o tipo, inclusive de estupro e pedofilia. No Wattpad tendo muitos exemplos de escritoras que fazem semelhantes coisas. Sim, falo de autoras mulheres, mas muitas dessas são quase crianças se comparadas comigo, que tenho 32 anos. Sem contar romances já publicados na Amazon, os quais as autoras, algumas mais maduras, leia-se, acima de quarenta anos, infelizmente não se deram ao trabalho de passar por um leitor crítico sério e um sensível para certos assuntos. 

Pois bem, como está claro na minha página, eu reviso e algumas vezes me meto a leitora crítica. Nesse ínterim, a editora na qual vou publicar dois livros do meu universo literário, no caso, a responsável por enviar originais para as minhas mãos de revisora, me enviou um livro chamado Entre o amor e a vingança, o primeiro romance de uma série que até então eu não conhecia a existência. 

A Família Cartier*. 

 

Uma família que poderia ser como qualquer uma, mesmo eles sendo a mais rica, ou uma das mais ricas do mundo. Mas dona de brigas, intrigas e merdas dignas de uma série do tipo Dinastia. Mas a história mais parece O Conde de Monte de Cristo, por ser uma trama de vingança executada por uma protagonista que ODEIA essa família mais que tudo. No que isso vira apenas o começo de uma jornada de evolução de todos os membros da família, em especial Arturo, Paloma e Hector, que protagonizam quatro livros intensos e complicados que fazem o leitor pensar muito. O primeiro mencionado é dos dois primeiros livros. 

Eu não vou detalhar mais que isso até porque eu vou fazer uma resenha mais profunda da série toda mais para frente no blog. Aqui, no caso, vou falar como essa série mudou minha visão como leitora. Como ela me fez entender que a literatura não é apenas clássicos, literatura fantástica no geral (o que eu mais gosto) ou romances densos e complicados. 

Não recordo bem o dia, mas com clareza lembro de como o livro me deixou curiosa e a cada página foi me conquistando. É verdade que esse livro tem cenas de sexo bem intensas e algumas vezes são um pouco chulas em termos de linguagem, mas isso se deve mais ao jeito que o protagonista fala. No entanto, o que realmente fez a diferença foi a forma como a K. C. Ferreira mostrou os sentimentos dos personagens, tornou eles MUITO reais para a percepção do leitor, deixando-o dividido entre odiar, amar ou tentar achar um meio termo para cada personagem dessa trama. Inclusive eu chorei bastante lendo. Isso que nesse período eu ainda não tinha começado o curso de narratologia com a Cláudia Lemes, do qual eu terminei a última turma. 

Trocando em miúdos, eu descobri, com o passar dessa revisão, que não é problema ler de tudo um pouco, mesmo que um livro pareça um “clichê” completo. O que tem muito na Amazon sendo vendido. Mas isso não os torna menos livros que outros. Existem leitores e leitores e como leitora, eu não devo discriminar essas pessoas por ler esses gêneros e principalmente, devo dar uma chance para pelo menos conhecer essas autoras. Que tanto como os autores que conheço, também trabalham para dar corpo e forma aos seus livros pagando capista, diagramador, editor, revisor e o diabo a quatro. 

Não foi muito diferente com a Kethellyn Cristina, que por sinal é uma amiga muito querida por mim, cuja amizade começou comigo porque eu fui corajosa o suficiente para ir até o WhatsApp dela perguntar uma coisa que eu não havia entendido enquanto revisava. Entre muita conversa jogada fora -risos-, eu tentando fazer ela entender os meus gostos peculiares para atores -mais risos ainda- e histórias de vida trocadas, até hoje estamos aí, firmes, fortes e amigas. 

Recentemente, ainda, ela investiu um SENHOR dinheiro para viabilizar a publicação de Entre o ódio e o perdão e apesar do lançamento ter sido um pouco tumultuado porque não vendeu tanto como ela esperava, a Kethy pôde compensar o investimento quando as vendas começaram a explodir. Sem contar que hoje mesmo ela confirmou o lançamento da versão física de Entre o desejo e a loucura, o livro da série que eu mais gosto e pelo menos para mim, o melhor dos quatro (que me fez chorar muito e me deixou acordada quase até quatro da manhã), em uma livraria. Devo dizer, ela mereceu muito esse sucesso e permanece merecendo. 

Sem contar que a literatura tem também as funções de acalmar nossos corações, nos fazer rir e sonhar com dias melhores. E por que não dizer nos desafiar a sair da zona de conforto com relação ao que sempre estamos lendo? Nesse caso, pode parecer contraditório o uso dessa pergunta, mas como leitora, acredito que deve-se ler de tudo um pouco, mesmo que uma parte disso não pareça boa aos olhos de outrem. Até porque a leitura é um ato democrático e isso implica que não devemos nos importar com quem não gosta desse ou daquele gênero. 

Por isso deixo aqui um desafio a vocês: se você tem preferência por um determinado gênero sempre, arrisque-se em outro pelo menos uma vez. Não tenha medo de parecer um leitor ruim. O pior é não ler nada porque senão te obrigam a acreditar em tudo o que dizem. 

Lady Trotsky encerra a transmissão aqui, agora. 

 

*: Quem quiser comprar a série toda, clique nos links abaixo:

Entre o amor e a vingança

Entre o amor e a dor 

Entre o desejo e a loucura 

Entre o ódio e o perdão

Sobre Renata Cezimbra

Brasileira e gaúcha com os dois pés e muita imaginação na região do Prata, pois é lá que começa o universo dos Vampiros Portenhos. Onde convergem os vórtices das mais férteis referências de uma dama teimosa, que aprecia pitadas de cultura pop, referências underground e coisas do arco da velha.

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12 comentários:

  1. Não conhecia a série e acho que ela deve ser muito boa mesmo pra te fazer mudar de opinião sobre todo um gênero.... Kkkkk
    Acho super bacana quando um livro te toca assim a ponto de mudar completamente sua visão de algo.
    Gostei bastante se dua resenha.
    Beijinhos

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  2. Gostei de ver sua perspectiva sobre como a obra mudou sua visão. Ainda não a conhecia, mas gostei de ver sua opinião. Eu confesso que tenho essa sensação sobre livros hots, sabe? Não sou uma pessoa que gosto do gênero, mas me aventuro muito em young adult e new adult, gosto bastante! E clichê... ah, eu amo! Mas é tão bom ver que há livros que podem mudar nossa visão e quebrar esse "padrão" que muitas vezes são impostos.

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  3. Olá,
    Muito legal você expandir seu universo literário, confesso que tentei novos gêneros este ano, descobri que alguns realmente é complicado para mim e me vi gostando de livros que antes eu jamais leria. Gostei do enredo da história que você indicou!

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  4. Oiii!

    Eu adorei o texto! E temos pensamentos bem parecidos. Eu li - depois de muitos anos - um hot nacional e fiquei triste com a exploração de rivalidade feminina, abusos psicologicos e outras coisas... Querendo ou não nosso carater também é composto pelo o que consumimos e é triste ver que algumas coisas seguem enraizadas.
    Eu não conhecia essa série mas pela sua postagem, tenho a impressão de que vou gostar sim da obra. Que bom que vc conseguiu se livrar de algumas amarras.
    Livro é livro, não existe bom ou ruim... é só identificação!

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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  5. Que bom que você se deparou com uma série capaz de ampliar sua visão e capaz de te fazer perceber o quanto é importante para nossa formação como leitores ler de tudo. Particularmente não tenho gênero preferido e fico super-feliz quando leio relatos como os seus. Bem-vinda a essa aventura de passear por todos os gêneros literários!

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  6. Oi Renata!
    Eu já passei por isso também, não que eu descrimine alguém por gostar de certo gênero de leitura, mas sim por não gostar de ler algum gênero, foi num desafio que li minha primeira biografia, não gosto muito mas foi muito gratificante quebrar a barreira, não vou dizer que foi uma maravilha mas li sem problema. Parabéns por você também ter conseguido passar por isso e pelo texto também, vou dar uma olhada nesses livros, obrigado pela dica, bjs!

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  7. Oie, tudo bem? O mais interessante desse universo literário é justamente as pessoas serem diferentes, gostarem de gêneros distintos e cada leitor ter suas próprias experiências. Quanto a gêneros o meu favorito é suspense/thriler desde que era adolescente, não mudou muita coisa desde então. Não curto muito hot é um dos poucos gêneros que nunca li nada, mas por não ter interesse mesmo. Alguns romances até gosto estilo Bridget Jones. Um abraço, Érika =^.^=

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  8. Oi, Renata!
    Eu super te entendo. Quando eu estava no ensino médio, lia praticamente só livros policias e fantasia. Agora na faculdade, com 22 anos e muitos livros lidos, eu mudei um pouco essa ideia de existirem gêneros melhores do que outros. Hoje estou aberta a ler quase tudo. Os gêneros que eu mais gostava a alguns anos atrás nem são os que mais leio hoje. Já li biografia muito boa, que era o gênero que tinha mais receio, já li alguns clássicos, ficção científica, entre outros.
    O único gênero que ainda não me sinto tão bem lendo é hot.
    É sempre importante estarmos evoluindo e acredito que começarmos a não diminuir gêneros é o primeiro passo para isso.
    Tema super interessante.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2020/09/resenha-o-milesimo-andar-livro-1.html

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  9. É maravilhoso se identificar com um gênero literário que nos agrada, assim a leitura se torna fluída e agradável. Foi muito bom você ter conseguido passar por isso, agora já sabe qual gênero você mais gosta. Os que eu não gosto de maneira alguma são o hot e autoajuda.

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  10. Não conhecia a série e o ponto que mais me chamou a atenção e super concordo com você é a função plural da literatura, sendo uma delas, nos divertir. Adorei a indicação e quero ler todos.
    Beijos

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  11. Olá Renata!!!
    Adorei o desafio e às vezes eu me ponho ele para conhecer um novo mundo, um novo universo pois eu sou bem complicada e sou louca para romances. Porém, claro amo outras histórias e outros gêneros que fui descobrindo com o tempo que lia mais e mais.
    Adorei ver como sua opinião mudou ao se aventurar nessa série.

    lereliterario.blogspot.com

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  12. Oi, eu gosto de livro erótico que não seja panfletário, sobre o YA e o New Adult não curto mesmo, concordo com você que leitura não é só de clássicos ou fantasia,coisas que muito gosto, mas como disse, livro panfletário me incomoda, sobre o livro em questão, vou aguardar sua resenha com carinho.

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