quinta-feira, 29 de julho de 2021

[Sobre o Universo] Vampiros: 1ª Parte - Algumas Notas Iniciais (Por Professor Elijah Colman)

 

Creio que não precise conceituar muito o que é um vampiro, pois é tão comum na cultura popular consumida mundo afora que fica difícil alguém não ter uma ideia sobre isso.
Mas, tenho uma pergunta: vocês têm uma real ideia de como são os vampiros da vida real?
Garanto a vocês uma coisa: os livros, séries e filmes, e até os RPG’s, não fazem jus à figura real do vampiro. Aliás, a todas, porque são pelo menos onze tipos diferentes com poderes variados que podem ser perigosos caso sejam provocados ou precisem se defender. Se eu não contar os experimentos de Mestres Bruxeiros ou os vampiros contaminados por radiação, casos que por si mesmos dariam textos muito maiores que esse.
Essencialmente, todos se alimentam de sangue e passam todo o dia repousando para apenas à noite despertar. No entanto, imagino que muitos se perguntem qual exatamente é a função, ou serventia, de um vampiro ou outros achem que eles nada mais são que parasitas, se alimentando da vida alheia para se manterem vivos.
Bem, a realidade sobre os vampiros é uma pura e simples: de fato, eles representam tudo o que os humanos secretamente desejam: a superação da morte e a liberação dos mais secretos e sombrios desejos da alma. Mas, representação não necessariamente significa que todo o vampiro é um ser maligno, cruel e assassino.
Na realidade, muitos de nós (sim, sou um atualmente) até mesmo salvamos a humanidade quando ela resolve que é uma excelente ideia entrar em guerra por conta de absurdos e mexer com o que não sabe lidar. Leia-se, temos de dar conta das burrices que parte dos humanos comete quase sempre. Sem contar que preservamos muitas histórias perdidas no tempo e conhecimentos que nenhum livro comporta, desde etnias até civilizações inteiras extintas antes que a História Oficial fizesse da Mesopotâmia a primeira delas.
Imagino, igualmente, que muitos até hoje se perguntem como surgimos ou como é possível criaturas bebedoras de sangue existirem em muitas culturas e elas sequer terem ligações umas com as outras. A segunda parte é explicável por um motivo: o sangue, queira ou não admitir, é a vida para o ser humano. Sua força vital, se fôssemos pensar pelo ponto de vista do vampirismo psíquico ou energético. Sim, caros leitores, não existem somente os sugadores de sangue. Há também humanos que são vampiros, e são infinitamente piores, se pararmos e pensarmos bem.
O sangue, desde tempos remotos e em qualquer cultura, simboliza a própria vida. É sinônimo de força, poder. Tanto que as tribos, quando derrotavam seus inimigos, consumiam seu líquido vital de modo a absorver sua força e outras características notáveis. Até porque, e admito que já fiz isso, a sensação de ver a vida do seu inimigo se esvaindo não deixa de ser fascinante. Mas isso não significa que nós vampiros matamos a torto e a direito.
Mesmo a Fome sendo como, segundo a descrição do hoje vampiro nosferatu (e não, eles não parecem o Conde Orlok do filme de 1922, com exceção dos dentes e das unhas longas) Leandro N. Alem, "se você, mesmo não podendo porque sua saúde não permite, não conseguisse parar de comer aquele alimento capaz de te matar, mas que te dá algo que nenhum outro foi capaz de dar.", ter controle sobre ela é uma das mais essenciais habilidades que um vampiro deve possuir.

 

 (Leandro N. Alem quando era mortal, provavelmente perto de sua morte, em 1896. Fotos atuais dele provavelmente não existem porque ele odeia ser fotografado.)


Afinal, querendo ou não, vivemos em sociedade e mesmo entre os sobrenaturais há leis que devem ser rigorosamente cumpridas, sendo a principal delas a Lei do Silêncio Juramentado, a qual, se não for cumprida, acarreta em pena capital para o criminoso.
Nisso inclui-se não sair deixando cadáveres à vista de todo mundo e não permitir que humanos saibam sua condição sob nenhuma hipótese. Caso ela ocorra sem que nenhuma das partes esteja diretamente envolvida, leia-se, situação fugida do controle, ou por motivo de relação de amizade ou algo mais íntimo, é preciso tomar providências que requeiram não prejudicar o humano, mas ele tem de estar disposto a colaborar. Sem isso, nada feito. É execução sumária.
Ainda nesse tópico, já digo que nós vampiros temos empregos normais como qualquer mortal e inclusive somos capazes de andar de dia caso tenhamos acesso a rubis escarlates ou lápis-lazúlis encantados por bruxas, mas nem todos tem paciência suficiente com a babaquice humana, isso que a nossa pode ser bem pior, preferindo o silêncio da noite para trabalhar.
No entanto, nem todos nós lidamos bem com a passagem do tempo ou com nossas vidas passadas, muitas vezes desenvolvendo distúrbios mentais característicos dos seres humanos como Depressão, Síndrome do Pânico, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia, Transtorno de Comportamento Borderline, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Ansiedade etc, e até mesmo algumas fobias como Pirofobia ou Claustrofobia. (Sim, fogo nos fere gravemente e até nos transforma em cinzas, mas nem todos temos medo dele.)
Se eu ignorar o fato de que, por melhores sentidos que tenhamos, eles algumas vezes mais atrapalham que ajudam por melhores que os tenhamos treinado, em especial a audição que, por ser muito apurada, também é altamente sensível, nos torna suscetíveis a atordoamento caso alguém emita um som muito alto em cima de nós. Motivo pelo qual preferimos confiar mais em nosso olfato, pois ele dificilmente nos trai. Claro que isso vai de vampiro para vampiro.
Como já devem ter percebido, eu não comentei sobre nossa possível origem. Em verdade, há muitas teorias acerca de nossa existência e por mais que vários dos vampiros Ancestrais ainda vivam, nem mesmo eles têm uma real ideia de como se tornaram o que são, até porque cada um teve uma situação muito distinta. Pelo menos até onde se sabe, pois não costumam aparecer com frequência e nem falam muito do passado. Alguns até nem mesmo lembram seus nomes anteriores.
Essas, porém, são cenas dos próximos capítulos. Portanto, até a próxima.

Sobre Renata Cezimbra

Brasileira e gaúcha com os dois pés e muita imaginação na região do Prata, pois é lá que começa o universo dos Vampiros Portenhos. Onde convergem os vórtices das mais férteis referências de uma dama teimosa, que aprecia pitadas de cultura pop, referências underground e coisas do arco da velha.

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5 comentários:

  1. Um vampiro na vida real, vai depender muito do que a pessoa acredita também, para alguns, na espiritualidade, por exemplo, é aquele que suga nossa energia... 'Mas, representação não necessariamente significa que todo o vampiro é um ser maligno, cruel e assassino.' eu concordo plenamente com essa sua descrição...Acho que esse foi o melhor texto que li aqui no blog, gostei bastante e não sabia que se identificava como vampira, muito legal. ^^

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  2. Oi, tudo bem?
    Amei a sua descrição sobre vampiros. Não imaginava que pudessem haver diferentes tipos e nem que houvessem leis tão rigorosas. Fiquei curiosa para saber mais sobre a origem dos vampiros e seus ancestrais. Ótimo texto!
    Beijos

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  3. Oi Renata!

    Sempre que visito seu blog, encontro novidades e descubro algumas informações que desconhecia sobre o universo dos vampiros. Adorei sua descrição sobre os vampiros, especialmente sobre os vampiros reais que sugam nossa energia. Parabéns pelo texto.

    Bjos

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  4. Olá,
    Que interessante, ao mesmo tempo que era uma parte da história também parecia que era um manual, gostei.

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  5. Que post curioso, adorei saber sobre as características desse universo tão fascinante, não sabia sobre as diversidade presente entre eles.

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