segunda-feira, 22 de junho de 2020

[Sobre o Universo] Morav e Sylene, As Discípulas de Avalon – Por Matilde Olmos y Piñedo (Historiadora e Bruxa Elemental da Água)

 Uma das mais famosas lendas do mundo sobrenatural diz que, nos tempos em que a civilização humana ainda engatinhava, um povo muito diferente vivia tranquilamente em uma bela, grande e pacífica ilha que recebeu o nome de Avalon.

Ninguém sabe precisar até hoje quem era esse povo, mas o consenso diz que era uma raça única e exclusivamente formada por seres femininos cuja aparência remontava às hoje conhecidas fadas. Provavelmente eram as mesmas que hoje são parte do imaginário popular como sendo adoráveis seres alados vestidos com roupas diáfanas. No entanto, a realidade não é muito bonita. As fadas que eu conheço podem até não ser más, mas se você as provocar, não há buraco onde você seja capaz de se esconder se elas quiserem te matar ou pelo menos te deixar com alguns ossos quebrados.

Como todo e qualquer lugar, ele precisava sobreviver com o que tinha. No caso de Avalon, suas habitantes viviam dos recursos que a floresta oferecia e os juntavam quando ficava próximo o frio para que ele não castigasse com a fome e o frio.

No entanto, o progresso inevitavelmente chega. Os humanos encontraram a ilha de Avalon cinco séculos antes do nascimento do lendário Rei Arthur, quando os Pendragon nem sonhavam em ter o comando da Bretanha. As fadas, encantadas com os instrumentos portados pelos homens humanos, quiseram aquele conhecimento, pois ele tornaria suas vidas mais fáceis. Elas, porém, eram ingênuas demais para perceber como os humanos podiam ser cruéis quando queriam alguma coisa ou viam o potencial de algo para ser maior.

Muitas delas foram violadas e/ou mortas antes que uma delas, que passou à História do Sobrenatural como Sylena, A Fada Guerreira, decidisse voltar o conhecimento dos humanos contra eles mesmos, mas de forma muito mais arrasadora. De forma inesperada, ela acabou sendo ajudada por vários humanos, que discordavam dos métodos estúpidos utilizados por seus semelhantes. Sylena hesitou em acreditar, por motivos óbvios. Mas quando um deles, um ferreiro chamado Moravyen, lhe ofereceu uma espada feita do melhor metal da ilha, o faerie férrico, ela se viu surpresa pelo fato de que um humano havia conseguido lidar com uma liga tão dura.

A batalha, conhecida como Expurgo Avaloniano, expulsou os malfeitores da ilha, permitindo que as habitantes voltassem a viver em paz, mas tendo de lidar com as consequências da crueldade humana. Uma delas as várias crianças nascidas de violações e as muitas, nascidas de relações normais, órfãs em razão da incapacidade humana de aceitar a diversidade.

Sylena, que apesar de sua ferocidade em batalha, era conhecida também por sua compaixão e generosidade, conscientizou suas companheiras de que aqueles pequenos seres de nada tinham culpa e que precisavam ser protegidos. Também criados para serem pessoas do bem, de modo a romper o ciclo de desgraça que permeou por anos a amada Avalon.

Apesar dos pesares e oposições de várias partes, Sylena e Moravyen se envolveram amorosamente e desse relacionamento, nasceram sete filhos, uma delas sendo Sylvana, que viria a ser primeira Dama do Lago Sagrado das Nereidas, encarregada de proteger a espada de sua mãe, que veio a receber, de Moravyen, o nome de Excalibur, significando “aço cortado” na língua galesa, pois o ferreiro nascera na ilha de Wales, hoje conhecida por País de Gales.

Teriam eles imaginado que a Excalibur, séculos depois, iria se tornar o começo do reinado de Arthur Pendragon, o lendário rei que veio a unificar as Bretanhas? Talvez, porque com a morte do Rei Arthur, cuja história todos devem conhecer, pelo menos a versão “oficializada”, a famosa espada foi tomada de volta pela Dama do Lago na ocasião, Vivianne, a décima segunda geração da família formada por Sylena e Moravyen, descendente de Sylvana.

No entanto, o Mal sempre dá uma jogada de mestre. Um terremoto, que segundo relatos, teria sido de treze pontos na escala Richter, causado pelos detestáveis descendentes mágicos de Mordred, partiu Avalon, gerando dois arquipélagos e matando milhões de inocentes no processo. Além de despertar um monstro milenar chamado Caltiki, que por mais de sessenta anos impediu a travessia de um lado a outro, tornando impossível a comunicação entre as ilhas e por consequência, impedindo seu desenvolvimento.

Ninguém parecia capaz de derrotá-lo, pois muitos morreram tentando ferir a criatura, até que um homem de manto escuro surgiu portando nada menos que a própria Excalibur e lutou com o monstro por quinze dias e quinze noites. Até que um rugido terrível cortou a última noite. Caltiki havia sido por fim derrotado. As ilhas, porém, nunca puderam se reunir novamente como uma única e seus habitantes, por dez anos ininterruptos, construíram uma ponte com os melhores e mais avançados materiais que puderam encontrar de modo que elas sempre fossem unidas de alguma forma.

No entanto, ninguém jamais soube quem era o portador da Excalibur na ocasião. Alguns acreditam que fosse o próprio Rei Arthur encarnado como vampiro e possivelmente sendo o Rei Vampiro na ocasião, pois já tivemos vários Reis Vampiros, com o aspecto comum de que suas identidades jamais foram descobertas e nem mesmo se sabe onde fica sua morada. Que poderia qualquer coisa ou até uma série delas. Por motivos até hoje desconhecidos. A teoria mais aceita é que eles têm algum acordo tácito com as bruxas porque saber a identidade do Rei Vampiro seria um atrativo para quem gosta de poder. Afinal, como você vai destruir algo que você não sabe o que é ou onde vive?

Apesar de divergências políticas, as ilhas jamais deixaram de ser amigas, tanto que ambas foram batizadas como Morav e Sylene, em homenagem ao apaixonado casal que deixou as diferenças raciais de lado em nome do amor e da paz. Também sendo exemplares combatentes do regime nazista de Hitler durante a Segunda Grande Guerra. Até hoje, porém, as ilhas são isoladas do resto do mundo, tal e qual o Japão o era no século dezenove porque os humanos convivem com seres sobrenaturais lado a lado, inclusive com os sobres tendo sua própria legislação nos dois países. Ambos dando pena de morte a quem contar o maior segredo de todos para alguém de fora.

Este texto por mim escrito é apenas um resumo da complexa historiografia de Morav e Sylene, mas é possível ter uma ideia do quão rica e fascinante é sua história.

(Repassar o registro para um editor de texto.)

Sobre Renata Cezimbra

Brasileira e gaúcha com os dois pés e muita imaginação na região do Prata, pois é lá que começa o universo dos Vampiros Portenhos. Onde convergem os vórtices das mais férteis referências de uma dama teimosa, que aprecia pitadas de cultura pop, referências underground e coisas do arco da velha.

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23 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Nunca tinha ouvido falar nessa história, mas achei bem interessante e adorei o teu resumo. Ótimo conteúdo!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Caramba, que texto legal!
    Eu nunca tinha ouvido falar dessa história e fiquei embasbacada com as coisas que você falou, já quero conhecer mais sobre.
    Adorei teu conteúdo, muito bom mesmo!

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  3. Oii!

    Eu conhecia um recorte da história que foi trabalhado em um livro teen, mas achei muito bacana ler mais sobre por aqui!
    o texto tá incrivel e envolvente, gostei!

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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  4. A história em sí é novidade no meu caso, mais achei extremamente curioso, adorei o texto!

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  5. Realmente, é bem fascinante. Já conhecia um pouco sobre essa mitologia, é um tipo de assunto que me interessa. Que legal de sua parte trazer um pouco desse assunto em um post : )

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  6. Oiieee

    Nossa fiquei maravilhada com a estória, Avalon, Sylene é uma estória de muita tragédia mas também de redenção, de tolerância, achei super envolvente como tudo é contado, até chegar no lendário Rei Arthur. Nunca tinha lido a fundo a estória de Avalon, gostei muito.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  7. Oi Renata, como vai? Que história interessante, nunca tinha ouvido falar nada sobre ela. As vezes fico fascinada como a mitologia pode ser incrívemente vasta e surpreendente.


    Viviane Almeida
    Resenhas da Viviane

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  8. Oi Renata.

    Eu confesso que nunca tinha ouvido falar dessa história e realmente é fascinante. Parabéns pelo texto foi bastante interessante.

    Bjos

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  9. Oi Renata!!

    Eu sempre adorei histórias de fadas, sempre me deixaram muito encantado e envolvido! Não foi muito diferente com o texto que você escreveu que eu sinceramente adorei!! Espero conferir mais dele por aqui em seu blog!!

    Beijos!
    Eita Já Li

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  10. Oi querida,
    eu não sabia o que era uma historiografia, e olha que sou fanática por livros que falam sobre vampiros e nunca citaram esse nome nas obras. Sobre o seu post, achei muito interessante a sua forma de relatar um pouco sobre a história de Morav e Sylene. Não sabia da existência de Avalon pensei que era tudo história fictícia criada por autores de fantasia. Adorei conhecer um pouco mais da nossa história e saber que tudo isso existiu me deixa muuito feliz.

    Beijoss, Enjoy Books

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  11. Oi, tudo bem?

    Que história CHEIA de misticidade é essa, hein? Adorei
    Conheço muito pouco sobre Avalon e não conhecia Morav e Sylene, amei ficar sabendo por aqui!

    Beijos!

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  12. Gostei muito do apanhado que você fez, Rê. Eu gosto muito da sua escrita, então foi bem gostoso de acompanhar o post! Rs... E fora que foi ótimo para aprender mais!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  13. Olá, tudo bem? Eu não conhecia essa história e confesso que fiquei totalmente embasbacada, principalmente porque enquanto lia, me vi alheia em tudo, realmente é super informativo seu post.

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  14. Gostei do seu texto e é novidade para mim tudo o que você apresentou, principalmente em questões que abordam sobre a divergência política e tudo mais. Gostei!

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  15. Olá, tudo bem ?
    Não conhecia o texto, adoro tudo que envolve fantasia.
    Fiquei pensando na devastação do que um terremoto de escala 13 poderia causar, fiquei imaginando que lindo o Rei Artur sendo vampiro e portando a Excalibur, achei tão lindo que fiquei emocionada. Eu adorei mesmo.
    Parabéns Rê pela escrita, eu realmente não conhecia e gostei bastante.
    Beijos

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  16. Oi, tudo bem?
    Eu achei muito interessante o seu texto. Já ouvi falar sobre Avalon muito superficialmente e confesso que não tenho muito conhecimento sobre essas lendas. E nunca tinha ouvido falar sobre Morav e Sylene, então, fiquei realmente fascinada lendo seu texto. Adorei!
    Beijos!

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  17. É a primeira vez que tenho contato com essa história e achei bem interesse, além do texto ser bem escrito, o conteúdo é bem empolgante.
    Beijos

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  18. Olá, como vão as coisas?

    Acredito que eu não conhecia essa história, mas achei incrivelmente interessante. Adorei o modo como você desenvolveu o texto, me cativou bastante!

    Abraços.
    www.acampamentodaleitura.com

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  19. fico admirada em como vc escreve bem. Ao ver o titulo lembrei do livro Brumas de Avalon, so pela palabra "Avalon" como nao li o livro entao nao se teve alguma inspiração.... maaaaaas enfim, sua escrita é maravilhosa e me prende na leitura, parabens pelo texto.

    Brubs
    https://quemevcbrubs.blogspot.com

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  20. Olá, tudo bem? Realmente parece uma história bem mais complexa e rica. Sempre curti o universo do Reino das Fadas, mas não como esse ser delicado que sempre pintaram, mas uma realidade mais forte. Amei demais o texto!
    Beijos

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  21. Oi Renata!
    Adoro sua escrita em como você aborda o acontecimento de uma forma que me faz ficar fascinada pela história. Adorei seu post e estou sempre aguardando por mais kkk. Uma mistura de miticismo com lendas, amei. Parabéns, bjs!

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  22. Eu já ouvi essa história, mas de forma muito superficial. E fiquei fascinada com o texto e a sua forma de descrevê-lo

    Sai da Minha Lente

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  23. Que tudo! Nunca tinha ouvido falar da história e achei incrível seu texto. Bem informativo, explicativo e simples!
    Já amei e quero mais e mais conteúdos informativos do mesmo modo...
    Vou procurar me informar mais, amei!
    Beijos

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